Bom Design – Simplificando Interações

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De que vale criar algo fantástico se ninguém o consegue usar?

Fazem já mais de 4 anos desde a primeira vez que notei que faltava algo (UX Design) numa aplicação em que eu e uns amigos estávamos a trabalhar. Desenhamos o projecto desde o primeiro rabisco até à notificação de “operação efectuada com sucesso”. A aplicação funcionava bem. Estávamos muito orgulhosos de nós mesmos. Só tinha um porém: nós éramos os únicos que conseguiam utilizar o aplicativo do início ao fim sem complicações. Sim, é isso que estás a imaginar: “viciámos a aplicação”. Projectamos uma má experiência para o utilizador final.

Para não repetir o erro, pus-me a pesquisar. Lí artigos e assisti vídeos na internet. Mesmo tendo aprendido muito, esta procura ao aleatório tem sempre as suas limitações. Então, decidi aprender de uma forma mais formal. Inscrevi-me no Coursera, uma plataforma de cursos online. Inscrevi-me para uma especialização em IHC – Interação Humano-Computador. A mesma lecionada por Scott Klemmer, professor de Ciências Cognitivas, Engenharia e Ciências da Computação na UC San Diego. E para fazer jus ao dito popular “partilhando é que se aprende”, decidi criar um espaço onde passarei a partilhar algumas das lições mais valiosas destas aulas e de pesquisas paralelas que irei fazendo.

Agora, vamos ao prato principal de hoje: O que é Interação Humano-Computador (IHC)?

IHC (ou HCI do Inglês Human Computer Interations) não é de fácil percepção logo de primeira. O conceito é simples: é o processo de concepção, implementação e avaliação de interfaces do utilizador. Neste processo, o ser humano é a peça mais importante de todo o sistema. Depois vem o computador que é a máquina que executa o sistema. No final vem a interface, que traduz o sistema de forma simplificada para o utilizador (o ser humano). Ou por outra, é uma matéria interdisciplinar que relaciona a ciência da computação, artes, design, ergonomia, psicologia, sociologia, semiótica, linguística e áreas afins para proporcionar a melhor experiência ao utilizador. IHC é chamado de muitas outras formas tais como: UCD (User Centered Design), MMI (Man-Machine Interface), HMI (Human-Machine Interface), OMI (Operator-Machine Interface), UID (User Interface Design) e HF (Human Factors).

A área de IHC como é conhecida hoje começou com Donald Norman, psicólogo cognitivo, que trabalhou o conceito de usabilidade. Em IHC significa simplesmente projectar sistemas fáceis de aprender e usar. Para projectar sistemas com boa usabilidade, os profissionais da área precisam de entender os factores psicológicos, ergonómicos, organizacionais, sociais entre outros, que determinam como as pessoas operam e fazem uso dos computadores efectivamente. Depois traduzir este entendimento no desenvolvimento de ferramentas e técnicas que ajudem o utilizador a interagir com o sistema com eficiência, efectividade e segurança.

Pondo de outra forma, quanto menos “clicks” forem necessários para chegar à informação que a pessoa precisa, mais chances há dela voltar a usar o aplicativo. Quanto menos conhecimento técnico a pessoa tiver que ter pra usar o produto, ou por outra, quanto menos “massada”, quanto mais intuitivo for um objecto de se usar, melhor ele é. Simples não é? Então por que é tão difícil chegar ao “simples”?

Muitas vezes, nós como programadores, ficamos tão envolvidos nas nossas formas “particulares” e “técnicas” de fazer as coisas que esquecemos que no fim do dia, quem vai usar as coisas que produzimos, simplesmente quer sair de A para B da forma mais fácil e rápida possível e devemos ter sempre a sensibilidade de que nem todo mundo é programador e o que é fácil e rápido pra nós, nem sempre é fácil e rápido para o utilizador comum. É aqui onde está a chave: as interações devem ser simples e isto é a base do bom design.

Durante a aula de Introdução o professor Klemmer sublinha que bom design. Em interfaces do utilizador, traz alegria às pessoas. A ajuda-lhes a fazer o que lhes interessa, a conectar com as pessoas que elas gostam. A conhecer as tarefas, os objectivos e valores que as guiam. Já mau design custa tempo, dinheiro e em alguns casos até vidas, quando se refere aos aparelhos usados pelos médicos, acidentes causados por pilotos de avião e até desastres nucleares. Felizmente estes problemas podem ser evitados seguindo procedimentos simples de consistência e feedback aprendidos em IHC.

Nas próximas publicações partilharei como implementar o “bom design” em nossos projectos.

Até breve.

Referências

1. Interação Humano-Computador, Wikipédia

2.Usabilidade e Interação Humano-Computador, Certificação Digital Nº 0610421/CA

3.Curso: Human-Computer Interaction, Coursera

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Por guidione

Sobre mim

O meu nome é Guidione Machava e guidi.one é o meu blog pessoal. O meu canto na web, onde partilho ideias, conceitos e sugestões de princípios usabilidade em projectos centrados no utilizador (user).

Partilho também notas das aulas online e presenciais que tenho frequentado que acredito que agregam valor a qualquer profissional na área de UX Design.

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