Teoria vs Prática – Como Avaliar Bom Design?

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Para garantir “bom design”, a avaliação não é opcional mas sim crucial.

A história que partilhei convosco na minha primeira publicação voltou a ser relevante quando aprendi que, mesmo mantendo o utilizador final em mente, o mais eficaz é pôr a interface em frente do utilizador e ouvir dele mesmo o relato da experiência de usar o sistema. Muitos dos comportamentos do utilizador podem ser previstos na teoria, mas só testanto é que se garante que a interface traduz, da forma mais simples e intuitiva possível, tudo aquilo que foi conceituado. Os benefícios que podemos ter com estas avaliações não terminam por aí, mas também incluem desde insights que nos podem ajudar a gerar novas ideias ou alterações que podem melhorar a usabilidade do sistema de formas que não tinham sido pensadas antes e até à correção de bugs.

Como é que os utilizadores vão usar o sistema? Como reagem durante o usam? Riem-se? Reclamam? De que forma é que um design é diferente do outro? E se alterarmos a interface, como é que isso afecta o comportamento dos utilizadores? Que práticas novas podem surgir da avaliação? Como é que a forma de utilização da interface muda ao longo do tempo? Estas são algumas das perguntas mais frequentes sobre as interfaces do utilizador, e as respostas para cada uma delas vêm de métodos de avaliação diferentes, o que significa que nenhum método é melhor ou pior que o outro e que a escolha de qual método usar depende principalmente do que é que se quer avaliar. Alguns dos métodos mais usados são:

1. Estudos de Usabilidade: Um das formas de aprender sobre Experiência do Utilizador, é levar os utilizadores para um local de teste (geralmente um laboratório ou escritório) que pode ser equipado com um espelho sem reflexo que divide a sala, e a equipe de observação e os utilizadores ficam de lados opostos. Isto permite que a equipe de observação veja em tempo real como os utilizadores interagem com a interface e as suas reações.

2. Formulários: Uma forma diferente recolher feedback dos utilizadores é usando formulários. Estes ajudam a recolher informação de múltiplos utilizadores em menos tempo e é relativamente fácil comparar múltiplas alternativas. Para este caso não é necessário que a interface esteja completa e já em uso, podemos usar mockups ou screnshots.

3. Grupos Focais: Usar grupos focais significa reunir um pequeno grupo de pessoas para discutir sobre o sistema. Por um lado, conseguimos descobrir informações novas, dificuldades partilhadas, etc.; por outro lado, o cenário de “grupo” às vezes dá lugar para que as pessoas com personalidades mais fortes dominem a conversa e as pessoas com personalidades menos dominantes não se expressem ou não respondam de forma honesta, com o intuíto de agradar o grupo.

4. Feedback de Experts: Um feedback deste nível é chamado de Avaliação Heurística é um método de avaliação de interfaces baseado em princípios de usabilidade. Os princípios são chamados de heurísticas pois são desenvolvidos a partir de uma série de experiências prévias, sintetizando pontos recorrentes. A interface é submetida para diferentes avaliadores que darão seu parecer baseando-se nos mesmos princípios, as chamadas heurísticas.

5. Observação Participativa: Neste modelo de avaliação, o observador acompanha o utilizador no seu dia-a-dia, fazendo notas sobre como ele desempenha determinadas actividades e como estas podem causar alterações ao sistema no seu todo.

6. Modelos Formais – Simulação: Se houver uma teoria matemática formal, podemos fazer previsões e comparar interfaces, sem necessariamente ter de reunir os utilizadores numa sala de pesquisa. A simulação é um técnica de entrada muito usada porque o desempenho motor dos utilizadores é o mais quantificado em IHC.

Existem ainda outros métodos como: generalização, realismo e comparação, nos quais não vamos entrar em detalhe no post de hoje. Não existe um método certo ou errado. Cada tipo de pesquisa ou por outra, cada fase do desenvolvimento da interface requer que avaliemos diferentes factores e é a definição do que se pretende avaliar que vai determinar qual é o método mais apropriado de se usar naquele momento. Por isso, a questão que se deve manter sempre em mente é: O que é que pretendemos avaliar?

Para terminar o resumo de hoje, vou deixar-vos com uma pequena reflexão que de certeza algum grande pensador já alguma vez disse (ou talvez não, mas fica a reflexão na mesma): quem não avalia, mau design cria.

Até breve.

Referências

  1. Curso: Human-Computer Interaction, Coursera
  2. HHS Usability Lab, Usability.gov
  3. Types of Evaluation Designs, Urban Reproductive Health Initiative
  4.  http://www.corais.org/node/95, Corais

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Por guidione

Sobre mim

O meu nome é Guidione Machava e guidi.one é o meu blog pessoal. O meu canto na web, onde partilho ideias, conceitos e sugestões de princípios usabilidade em projectos centrados no utilizador (user).

Partilho também notas das aulas online e presenciais que tenho frequentado que acredito que agregam valor a qualquer profissional na área de UX Design.

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